A farmácia virou o canal mais capilar do varejo brasileiro e abriu 7.602 lojas em 12 meses

É, meus amigos, qual outro segmento tem aberto tantas lojas físicas assim?
O varejo farmacêutico movimentou R$ 262,6 bilhões em vendas nos 12 meses até agosto de 2026, segundo a Close-Up International, crescendo 11,3% ao ano desde 2022.
E onde essas lojas foram abertas?
4.808 das 7.602 lojas novas, quase duas em cada três, estão em municípios de até 300 mil habitantes, contra só 698 em cidades com mais de 1 milhão. Enquanto boa parte do varejo físico renegocia dívida e fecha loja, a farmácia segue entrando no interior e já soma mais de 100 mil pontos de venda.
Esse crescimento tem dono!
As redes da Abrafarma (Raia, Drogasil, Pague Menos, Panvel) cresceram 16,5%, e as redes regionais, 13,9%. As independentes avançaram 6,9%, e as federações de independentes, só 3,3%, mesmo com mais que o dobro de lojas da Abrafarma.
Quem ocupa o interior são as operações estruturadas, com app, programa de fidelidade e o CPF informado no caixa. Uma base gigante de clientes identificados e recorrentes, em cidades onde a mídia nacional chega cara e dispersa.
O digital acelera a mesma lógica.
A penetração digital saiu de 16,7% para 27,3% desde novembro de 2024, e as vendas digitais cresceram 42,1%, chegando a R$ 8,2 bilhões. Em dermocosmético, a penetração digital já é de 20,3%, o dobro de beleza e cabelo.
As canetas de GLP-1 reforçam essa recorrência. Mounjaro, Wegovy e Ozempic somaram R$ 13,3 bilhões em 12 meses até maio, segundo a Close-Up, e a RD Saúde responde por 35% dessas vendas com 17% do mercado, segundo o UBS BB. É tratamento contínuo, com receita, que traz o paciente de volta todo mês.
Juntando as peças, a farmácia virou o varejo de proximidade com o melhor dado de recorrência do Brasil. E nos planos de marcas de consumo que eu acompanho, ela costuma aparecer na linha de trade, na negociação de sell-in e gôndola, e raramente chega ao planejamento de mídia, mesmo para dermo, suplementos, higiene e bebê.
Para falar com o consumidor de uma cidade de 150 mil habitantes, a farmácia da esquina talvez seja hoje o ponto de contato mais preciso disponível.
Quem aqui já compra mídia em farmácia (retail media) como compra em marketplace?
Ou o canal ainda entra no plano só como ponto de venda?
Fontes:
Close-Up International (varejo farmacêutico, set/2025 a ago/2026), via Panorama Farmacêutico: https://panoramafarmaceutico.com.br/varejo-farmaceutico-cresce-13-em-12-meses/
Close-Up International (GLP-1, 12 meses até mai/2026), via Correio: https://www.correio24horas.com.br/economia/canetas-emagrecedoras-movimentam-r-133-bilhoes-e-transformam-o-mercado-farmaceutico-0826
UBS BB (participação da RD Saúde em GLP-1), via Paraíba Business: https://paraibabusiness.com.br/mercado-de-canetas-emagrecedoras-deve-dobrar-para-r-20-bi-em-2026-no-brasil/
Antônio Netto
Head de Planejamento e Conteúdo na Pullse (Grupo Dreamers). Mestre em Administração, cursando MBA em Inteligência Artificial Aplicada a Negócios na FAAP. Host do Podcast Papo Bizz, sobre marketing, varejo e comportamento do consumidor.
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