6 tendências de marketing para 2026 que merecem sua atenção! Anota!
- Freitas Netto
- 15 de jan.
- 7 min de leitura

O ponto é que 2026 não parece ser um ano de ajustes finos.
Ele se desenha muito mais como um ano de troca de mentalidade.
Menos tática avulsa, mais sistema.
Menos hack, mais estratégia.
Preparei este artigo a partir da leitura de diferentes estudos e relatórios recentes, cruzados com a minha experiência prática nos últimos anos atuando com marcas de grande escala.
Não é um texto sobre previsões vazias, mas sobre o que será relevante observar, estruturar e testar para enfrentar os desafios reais de 2026.
1) Creator Economy 2.0: UGC, atenção e memificação

Em 2026, a discussão sobre creators precisa ir além do papel tradicional de “mídia”. O que começa a se consolidar é uma Creator Economy 2.0, na qual criadores passam a operar como infraestrutura estratégica das marcas, e não apenas como canais de distribuição.
O crescimento da atuação de micro e nano creators responde diretamente a três pressões estruturais do mercado: o aumento contínuo do CPM, a necessidade de escalar produção de conteúdo sem perder autenticidade e a busca por maior credibilidade cultural.
Estudos de mercado mostram que micros e nanos apresentam, em média, taxas de engajamento superiores às de grandes influenciadores, além de permitirem uma presença mais contínua, distribuída e sustentável ao longo do tempo.
É dentro dessa lógica que o UGC deixa de ser apenas “conteúdo de usuário” e passa a ocupar um papel central na arquitetura de comunicação. Os dados ajudam a explicar esse movimento.
Pesquisas da Bazaarvoice indicam que páginas de produto que utilizam UGC podem registrar aumentos superiores a 150% em conversão. Levantamentos da WARC mostram que anúncios baseados em UGC apresentam CTR até quatro vezes maior do que peças institucionais.
Já estudos da Stackla e da Nosto apontam que conteúdos gerados por usuários são percebidos como mais de duas vezes mais autênticos do que conteúdos produzidos diretamente pelas marcas.
Mas o impacto do UGC não é apenas performático. Ele é cultural. E é justamente aí que essa lógica se conecta a outro movimento central: a memeficação como linguagem.
Memes deixam de ser tratados como “piadinhas” ou recursos táticos pontuais e passam a operar como código social. Em resposta à saturação de anúncios artificiais, excessivamente polidos e agora acelerados por IA, o público demonstra preferência crescente por conteúdos que carregam imperfeição, conversa, humor e humanidade.
Memes funcionam como atalho cultural, desarmam resistências e criam identificação simbólica com muito mais rapidez do que discursos publicitários tradicionais.
Nesse contexto, ganha força a percepção de que anúncios de alta performance em 2026 não apenas vendem, mas entretêm. A venda deixa de ser o ponto de partida da narrativa e passa a ser consequência da atenção, da identificação e do envolvimento cultural gerado ao longo do caminho.
UGC, creators, memes e entretenimento não são tendências isoladas.Eles formam, juntos, uma arquitetura de atenção e credibilidade, fundamental para marcas que precisam competir em um ambiente de custo alto, excesso de estímulos e escassez de confiança.
2) Community-Led Growth como resposta à hesitação do consumidor

Quando a confiança migra das marcas para as pessoas, a construção de comunidade deixa de ser acessória e passa a ser estratégica.
Mesmo com branding consistente e mídia ativa, muitas marcas enfrentam um padrão recorrente: o consumidor entende a proposta, demonstra interesse, mas hesita.
Pesquisas globais de confiança e influência, como o Edelman Trust Barometer e estudos de comportamento do consumidor da McKinsey, mostram que recomendações de pares têm impacto significativamente maior na decisão de compra do que mensagens publicitárias tradicionais.
Em alguns levantamentos, o peso da recomendação chega a ser duas vezes maior do que o da publicidade paga.
É nesse espaço que o Community-Led Growth (CLG) ganha relevância.
CLG não é sobre criar grupos por criar. É sobre estruturar ambientes de troca, validação e pertencimento, onde a confiança se constrói de forma contínua.
Aliás, sobre esse tema, rolou um super artigo sobre como construir comunidades por aqui e também episódio 63 do Papo Bizz! Vale a pena conferir!
Comunidades bem estruturadas:
reduzem fricção de compra
fortalecem retenção
geram defesa espontânea da marca
ajudam a amortecer o custo de aquisição no longo prazo
3) CPM alto é realidade permanente

Talvez essa seja a tendência mais incômoda, justamente porque ela não traz glamour nenhum.
Relatórios globais de monitoramento de mídia, como os estudos anuais da WARC Media e análises de mercado da NP Digital, mostram uma curva consistente de alta de CPM desde 2019, com aceleração clara a partir de 2022.
No Brasil, projeções indicam novos repasses de custos e impostos por parte das plataformas, com estimativas de aumento adicional entre 10% e 15% no custo final da mídia em 2026.
O guia estratégico que analisei é direto nesse ponto: o aumento do custo de mídia deixou de ser tendência e virou realidade contínua.
Na prática, isso muda o papel do paid.
Ele segue sendo relevante, mas perde a função de motor único de crescimento.
Quando o custo de aquisição sobe de forma estrutural, a dependência exclusiva de mídia paga passa a gerar:
margens mais pressionadas
ciclos criativos mais curtos
maior dependência das plataformas
menor previsibilidade de crescimento
O desafio deixa de ser “como comprar mais mídia” e passa a ser como sustentar eficiência apesar do custo.
4) Branding como performance: o pêndulo volta ao centro

É aqui que a discussão avança quase automaticamente.
Durante anos, branding e performance foram tratados como forças opostas. Um associado à construção simbólica, outro à conversão imediata.
Inclusive esse tópico foi tema do Episódio 68 do Papo Bizz que está incrível! Vale ouvir!
Estudos clássicos de efetividade de marca, como os da Nielsen e da WARC, vêm mostrando que essa separação não se sustenta.
Alguns dados ajudam a dar dimensão disso:
análises de Share of Voice indicam que marcas que mantêm SOV acima da participação de mercado tendem a capturar crescimento incremental ao longo do tempo (WARC)
segundo o Edelman Trust Barometer, mais de 80% dos consumidores afirmam que a confiança é fator decisivo para considerar uma marca
levantamentos de longo prazo mostram que empresas com consistência de marca apresentam ganhos entre 10% e 20% em crescimento de receita no médio prazo
O branding deixa de ser visto como “topo de funil” e passa a operar como infraestrutura de decisão. Ele cria o contexto emocional, simbólico e cognitivo que influencia eficiência de mídia, sensibilidade a preço e retenção.
É nesse ponto que o marketing de experiência ganha protagonismo como desdobramento natural dessa lógica.
Relatórios recentes indicam que cerca de 80% dos gestores de marketing já estão investindo em experiências presenciais ou digitais (como eventos, ativações, workshops e masterclasses) não apenas como ação de awareness, mas como motor de conexão e conversão.
A lógica é simples:experiência gera vínculo,vínculo gera memória,memória gera preferência.
Em um cenário de CPM alto, experiências bem planejadas deixam de ser “extra” e passam a funcionar como ativos estratégicos de marca, capazes de sustentar eficiência no médio e longo prazo
5) A mensuração entra em fase adulta: MMM, incrementalidade e visão de negócio

Se o branding ganha centralidade estratégica, a mensuração precisa evoluir junto.
A régua baseada exclusivamente em clique ou last click já não explica a complexidade das jornadas atuais. É exatamente por isso que o Marketing Mix Modeling (MMM) volta a ganhar protagonismo, especialmente em discussões de conselho e liderança.
Relatórios da Nielsen e da Google Marketing Platform apontam o MMM como uma das metodologias mais eficazes para:
mensurar impacto incremental real de branding e mídia
entender a contribuição de awareness na receita futura
equilibrar investimento entre curto e longo prazo
Enquanto o pixel responde “quem clicou”, o MMM responde perguntas como:
quanto cada real investido em marca retorna em receita incremental
qual é o ponto ótimo entre awareness e performance
em que momento cortes em branding começam a corroer margem futura
Essa mudança de régua tende a se intensificar em 2026 justamente porque conecta marketing à lógica financeira do negócio, e não apenas ao dashboard de mídia.
6) IA estratégica e agentes: de ferramenta a sistema
(ampliação para convergência Criatividade + Dados + IA e fim dos silos)

Aqui vale uma distinção essencial.
2025 foi, claramente, o ano da experimentação com IA.Testes, prompts, automações pontuais, ganho de velocidade.
2026 tende a ser o ano da IA estratégica.
Pesquisas da Gartner e da McKinsey indicam que mais de 90% dos times de marketing já utilizam IA em alguma etapa do trabalho. O desafio não é mais usar IA, mas como integrá-la à estratégia.
O avanço mais relevante está nos agentes de IA: sistemas capazes de monitorar dados, identificar padrões, gerar insights, automatizar respostas e operar de forma contínua. Apesar disso, levantamentos mostram que menos de 30% das lideranças utilizam agentes de forma estruturada hoje.
Mas o ponto central não é tecnologia.
O próprio material de tendências que analisamos deixa isso claro ao apontar a convergência entre Criatividade, Dados e IA como o grande eixo estratégico para 2026:
criatividade isolada vira aposta
dados isolados viram tédio
IA sem direção vira ruído
É a convergência dos três que cria crescimento real.
Essa lógica exige, inevitavelmente, o fim dos silos. Em 2026, marcas deixam de operar com times isolados de paid, orgânico, conteúdo e atendimento e passam a atuar como organismos integrados.
A integração operacional e estratégica se torna condição básica para eficiência e consistência.
IA, nesse contexto, não substitui pessoas nem criatividade.Ela orquestra.
Ela conecta dados, acelera processos, amplia leitura de contexto e libera tempo para pensamento estratégico e criação.
Em 2026, o debate sobre IA deixa de ser “qual ferramenta usar” e passa a ser qual visão de sistema estamos construindo.
Olhando para essas seis tendências em conjunto, fica claro que 2026 não será sobre fazer mais ações, testar mais formatos ou adotar mais ferramentas. Será sobre construir sistemas de marketing mais integrados, mais humanos e mais sustentáveis, capazes de lidar com custo alto, atenção escassa e consumidores cada vez mais críticos.
Mais do que prever o futuro, o desafio agora é entender como essas peças se conectam e o que elas exigem de marcas, negócios e agências a partir de agora.
Antônio Netto
Planejamento Estratégico e Consumer Insights
Vencedor do Prêmio Amigos do Mercado 2024 – Planejamento Publicitário
Host do podcast Papo Bizz 🎙️
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