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Creator Economy 2.0: as tendências que vão definir a influência em 2026

  • Foto do escritor: Freitas Netto
    Freitas Netto
  • 28 de jan.
  • 5 min de leitura

Durante anos, a Creator Economy foi tratada como território de experimentação. Um espaço onde alcance, engajamento e carisma bastavam para justificar investimentos, parcerias e campanhas. Essa fase acabou.


2025 foi o ano da virada de chave. Foi quando o mercado começou a abandonar o discurso do hype e passou a exigir estrutura, profissionalização e resultado.


Em 2026, esse movimento se consolida. A Creator Economy entra definitivamente em sua fase estrutural. Não como moda, nem como tática social, mas como infraestrutura estratégica de negócio.


É aqui que se estabelece o que chamo de Creator Economy 2.0: um modelo mais racional, mais mensurável, mais integrado ao "core" das marcas e, justamente por isso, atravessado por tensões que ainda estão sendo pouco discutidas.


Da audiência à infraestrutura da influência


Se em 2025 o foco estava na profissionalização do backstage, em 2026 o foco se desloca para algo ainda mais profundo: a consolidação da influência como sistema.

Basicamente, a influência deixa de ser entendida meramente como extensão do branding, como um canal complementar de awareness ou peça criativa isolada.


O creator era tratado como espaço alugado. A marca entrava, falava, saía. Agora, o creator é tratado como canal próprio, quase como uma newsletter, um CRM vivo ou um ponto de contato recorrente. É a maturidade do mercado que precisa pensar na organização de fluxos de atenção, confiança e consumo.


Tendência 1: O creator como sistema


Em 2025, vimos a consolidação do modelo always on e das parcerias de longo prazo. Em 2026, isso evolui para outro patamar: o creator como sistema operacional da influência.

O valor já não está no criador isolado, mas no ecossistema que ele sustenta. Um sistema que organiza narrativa, relacionamento e resultado ao mesmo tempo.


Isso envolve consistência narrativa ao longo do tempo, relação contínua com a audiência e capacidade de gerar variações criativas em escala, mas também algo mais estrutural: o creator passa a operar simultaneamente como mídia, varejo e fonte de dados.


Mas o que isso significa, na prática?


Significa que o creator disputa atenção no feed e constrói significado como mídia, influencia decisão e acelera compra como varejo, e gera inteligência de mercado ao revelar objeções, desejos e gatilhos reais de consumo por meio da própria audiência.


É exatamente essa lógica que explica o surgimento e a consolidação de plataformas próprias de creators dentro do varejo brasileiro. Iniciativas como o Acelera CB, das Casas Bahia, o Creator da Shô, da Shopee, ou os programas de Afiliados e Criadores do Mercado Livre não nascem como ações de marketing pontuais, mas como infraestruturas permanentes de influência, conversão e aprendizado.


Ao estruturar programas voltados a micro e nano influenciadores, esses players reconhecem que o valor não está apenas no alcance massivo, mas na capacidade de escalar confiança, linguagem nativa e contexto de uso real dos produtos. O creator deixa de ser apenas um divulgador e passa a operar como extensão do varejo, conectando narrativa, demonstração, venda e feedback em um mesmo fluxo contínuo.


Na prática, essas plataformas institucionalizam aquilo que a Creator Economy 2.0 propõe: creators como mídia, canal de vendas e fonte de dados ao mesmo tempo. O conteúdo passa a alimentar não só awareness, mas também performance, recorrência e inteligência de negócio. É a influência deixando de orbitar o varejo e passando a funcionar por dentro dele.


Se antes o creator era contratado pela ideia, agora ele é valorizado pela capacidade de fazer ideias circularem com eficiência, conectando discurso a compra sem romper o vínculo simbólico com a comunidade.


A pergunta deixa de ser “quem tem alcance?”


E passa a ser:

quem sustenta relevância, performance e confiança no tempo?

Tendência 2: O risco da performance como linguagem


2025 foi o ano em que a performance entrou de vez na conversa. ROI, métricas, afiliados e conversão deixaram de ser tabu. Em 2026, isso se torna idioma comum entre marcas, agências e creators.


Performance não é mais diferencial. É pré-requisito!


Mas é exatamente aqui que mora a tensão menos discutida do momento.


A busca por performance está empurrando a Creator Economy para uma lógica cada vez mais próxima da mídia tradicional.

Quando tudo precisa converter, as narrativas encurtam, os formatos se repetem, os riscos criativos diminuem e os creators começam a soar intercambiáveis.


O problema não é medir. Em 2025, aprendemos que mensurar é essencial. O problema é otimizar tanto que se mata o diferencial simbólico. Sabe aquela autenticidade da linguagem do creator que fez a Creator Economy funcionar? Corre o risco de se perder pela performance a qualquer custo.


Em 2026, o grande desafio não é provar resultado.

É provar resultado sem perder identidade.


Tendência 3: Do UGC ao IP


Se em 2025 o debate girava em torno de UGC, CGC e linguagem, em 2026 a discussão avança: quem constrói Propriedade Intelectual encontra a maior diferenciação e maiores chances de sucesso (e sobrevivência).


Creators deixam de ser apenas executores de formatos, adaptadores de trends e braços criativos de campanhas. Agora é preciso:


  • desenvolver universos narrativos;

  • criar séries e formatos proprietários;

  • negociar co-criação e licenciamento;

  • operar como marcas culturais.

Em 2026, quem não constrói IP vira commodity.

Esse é o movimento que separa creators táticos de creators estruturais.


Tendência 4: IA como infraestrutura invisível


Em 2025, a IA ainda aparecia como discurso, promessa ou estética. Em 2026, ela deixa de ser protagonista e vira sistema central.


A Inteligência Artificial passa a estar presente em todas as etapas da Creator Economy 2.0:


  • na curadoria;

  • na análise de performance;

  • na identificação de creators;

  • na personalização em escala;

  • no apoio à produção e edição de conteúdo;

  • na distribuição de conteúdo.


Mas ela não é a personagem principal. Marcas, agências e creators seguem sendo o centro desse mercado. Quanto menos visível for a IA, mais estratégico é seu papel no mercado.

O erro é usar IA para substituir narrativa. O acerto é usá-la para liberar tempo, energia e inteligência humana para criar significado.


Tendência 5: Comunidade, presença e o retorno do físico


Se 2025 consolidou o discurso de pertencimento, 2026 materializa esse conceito.


Comunidades deixam de ser abstração e passam a se expressar em:


  • eventos;

  • encontros;

  • produtos proprietários;

  • experiências offline.


Em um ambiente saturado de conteúdo, presença vira diferencial competitivo.

Não por nostalgia, mas por escassez mesmo!


O grande desafio de 2026


A Creator Economy 2.0 é mais madura, mais eficiente e mais integrada ao negócio.


Mas ela carrega um risco:

transformar creators em apenas mais um inventário de mídia otimizado.

O futuro não está em escolher entre branding ou performance, mas em construir sistemas onde performance sustenta a narrativa, e não o contrário.


Se 2025 foi o ano da profissionalização, 2026 será o ano do equilíbrio.


Vão conquistar mais o mercado:


  • creators que entendem de negócio sem perder voz;

  • marcas que aceitam menos controle e mais construção;

  • estratégias que equilibram dado e sensibilidade cultural.


A Creator Economy morre quando esquece que influência nasce de significado, não só de conversão.



Antônio Netto

Planejamento Estratégico e Consumer Insights

Vencedor do Prêmio Amigos do Mercado 2024 – Planejamento Publicitário

Host do podcast Papo Bizz 🎙️


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