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Natal 2025: como será a celebração dos brasileiro?

  • Foto do escritor: Freitas Netto
    Freitas Netto
  • 12 de dez. de 2025
  • 7 min de leitura

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Em um país em que quase tudo é motivo de divisão, o Natal ainda é consenso. Segundo a pesquisa realizada por Globo e PiniOn, 95% dos brasileiros vão comemorar o Natal em 2025. Cerca de 60% dos brasileiros pretendem se reunir com familiares para a ceia ou o almoço de Natal.


Não estamos falando de uma simples data no calendário, mas de um ritual coletivo capaz de mobilizar praticamente todo o país ao mesmo tempo. O Natal reúne família, memória e consumo em uma ocasião que, mais do que manter tradições, organiza a forma como o brasileiro encerra o ano e reafirma laços afetivos. 


61% dos brasileiros afirmam que vão comemorar no dia 24, mantendo viva a lógica da noite como ápice emocional da celebração. Ainda assim, 44% comemorar no dia 25, mostrando que a manhã e o almoço do feriado são extensões desse rito. Já a comemoração no final de semana, que cai para 5%, recua em relação a 2024. 


Mas, além da noite do dia 24 ou do dia 25, a data se estende em uma verdadeira “temporada de encontros” antes da data: a própria pesquisa mostra que 80% dos entrevistados participam de outras comemorações antes do dia 24, entre churrascos, encontros informais e amigos secretos. 


Em outras palavras, o Natal não é um único evento, é um ciclo de rituais que atravessa semanas, múltiplos espaços e diferentes círculos sociais.


Experiência afetiva: mesa, memória e proximidade


Quando se pergunta o que o Natal significa, o Brasil responde com afeto. Entre os entrevistados, uma parcela relevante associa a data ao momento de reunir ou rever familiares e amigos (51%), à lembrança da infância (33%), uma forma de manter a tradição da data viva (28%), ao momento de comer muita coisa gostosa (28%), e de troca de presentes (21%). Enquanto 46% concordam que o Natal é um momento para estar perto de quem amam.


A data é menos sobre a liturgia formal do calendário e mais sobre o que ela ativa emocionalmente: memórias, pertencimento, sensação de “nós” em um país marcado por tantas desigualdades.


Essa dimensão afetiva ganha forma em símbolos muito concretos. A ceia ocupando o centro da casa, as receitas de família, a árvore montada, as luzes, a decoração. 


A ceia: entre tradição e o “brasileirismo”


Se o Natal é vivido em volta da mesa, vale olhar com atenção para o que essa mesa conta sobre o país. A pesquisa aponta que 78% dos brasileiros vão ao mercado comprar ingredientes para preparar a própria ceia. 


Desses, 65,5% afirma que nessa época do ano, costuma buscar mais sites de receitas para preparar comidas típicas e 46% afirmam que programas de televisão de culinária costumam inspirar no preparo da ceia de Natal.


Mas nem todo mundo quer ir pra cozinha! Outros 22% pretendem encomendar a comida de pessoas que cozinham para o Natal, 12% recorrerão a padarias, restaurantes ou rotisserias e apenas 11% planejam pedir refeições prontas por delivery.


Nesse conjunto, existe um equilíbrio interessante: o valor do “caseiro” continua muito forte, mas a conveniência começa a ser incorporada como aliada, não como substituta.

Esse movimento aparece com clareza no dado em que 62% dos entrevistados dizem que, neste ano, vão priorizar opções que ofereçam praticidade e conveniência, com preparo mais fácil e rápido. O tempo ganha status de recurso escasso, tão importante quanto o dinheiro.


Ao mesmo tempo, a ceia permanece simbólica: 80% afirmam que, mesmo com os preços altos, o Natal é o momento em que se permitem consumir itens especiais, como doces, bebidas e carnes diferenciadas, e 67% dizem que estão buscando opções mais saudáveis, inclusive para as festas de fim de ano.


Dentro dessa transformação, o CHURRACO entra como uma espécie de tradução brasileira do Natal. 40% dizem que considerariam substituir a ceia do dia 24 por um churrasco. Essa disposição sobe para 60% no almoço do dia 25, chegando a mais de 70% em algumas regiões, como o Sul.


O dado não indica um abandono da tradição, mas a reconfiguração do ritual em formatos mais coletivos, democráticos e viáveis. O brasileiro não quer abrir mão do encontro, quer torná-lo mais acessível e mais amplificado. O churrasco coloca todo mundo junto, ativa o senso de participação e cria uma experiência em que ninguém é “convidado”, mas todos são “parte”.


 Um país que celebra com sete lógicas diferentes


Apesar de o Natal ser quase universal, não é homogêneo. A pesquisa identifica sete modos principais de viver o Natal este ano. Cada um representa uma forma simbólica de estar na data e todos revelam gatilhos culturais relevantes:


1) Memória Afetiva (35%) Natal como repertório emocional. Rituais simples, mas cheios de significado: ceia caseira, lembrancinhas, amigo secreto, presença. A força está na lembrança, sobretudo da infância e da tradição familiar.

2) Natalino Raiz (15%) O formato clássico. Decoração completa, árvore montada, ceia tradicional, filmes natalinos, compra de presentes para toda a família, alimentos típicos. É a preservação explícita do ritual.

3) Planejado (13%) O Natal como projeto. Listas, pesquisa de preços, antecipação via Black Friday, cashback, cupons, kits prontos, conveniência digital. Esse perfil organiza o ritual para viabilizar o Natal desejado.

4) Escapista (12%) Natal como pausa do social. Viagem, isolamento, hotel, praia, retiro, fugir das convenções, evitar aglomeração. O espírito da data é buscar descanso e não celebração coletiva.

5) Relaxado (10%) Improviso como linguagem. Tudo de última hora, adesão espontânea aos planos da família, vale-presente, ofertas relâmpago. Esse Natal acontece apesar do planejamento, e não por causa dele.

6) Arroz de Festa (8%) O Natal como temporada de festa. Happy hours, eventos, looks, open bar, fogos, redes sociais. Para esse público, o Natal é o “aquecimento” para o Ano Novo.

 7) Festeiro Corporativo (6%) O Natal como ambiente de trabalho. Amigo secreto entre colegas, piadas internas, lembrancinhas, snacks e cerveja. Nesse caso, a celebração é menos familiar e mais organizacional.


Metade do país vive o Natal pela emoção e pelo ritual, mas a outra metade ressignifica essa celebração com base no estilo de vida, na relação com a família, na energia disponível para socializar e na pressão econômica do fim do ano. O Natal brasileiro é um grande guarda-chuva, capaz de absorver diferentes ritmos e linguagens sociais.


Os presentes de Natal


A pesquisa revela que 78% dos brasileiros presentear alguém no Natal desse ano, número que sobre para 90% de intenção nas Classe AB.

Quando olhamos para os presentes que os brasileiros pretendem comprar para outras pessoas neste Natal, a pesquisa mostra um retrato claro das escolhas afetivas e práticas que estruturam a data.


  • Chocolate e doces aparecem em primeiro lugar, escolhidos por 60% dos entrevistados, funcionando como o gesto mais democrático da celebração.

  • Logo atrás, roupas e calçados surgem como preferência de 57%.

  • Na terceira posição, os brinquedos são a escolha de 56%, mostrando que o Natal continua sendo um momento pensado especialmente para as crianças, mantendo vivo o ciclo emocional da festa.

  • Na sequência aparecem os Panetones e chocotones serão comprados por 55% dos consumidores; 

  • Perfumes, maquiagens e cosméticos escolhidos por 46%,

  • Acessórios por 42%.

  • Kits natalinos e cestas de alimentos e bebidas, sendo a opção de 33%, ambos;

  • Bebidas alcoólicas e produtos de higiene pessoal27%, ambos.

  • Fechando o ranking de preferências estão os livros e os artigos esportivos, ambos com 26% das intenções de compra.


Reforçando que, apesar de menos universais, representam presentes muito associados ao estilo de vida de quem recebe.


Natal online e offline


Quando olhamos para onde o brasileiro pretende comprar seus presentes, aparece um híbrido interessante entre físico e digital. A pesquisa mostra que os entrevistados citam com frequência marketplaces, sites estrangeiros, sites das próprias lojas, lojas físicas de magazines, comércio local de bairro, lojas de departamento e vestuário especializado.


Não há um único canal dominante, mas um mosaico em que o digital ganha relevância decisiva. Segundo o estudo, 67% preferem comprar os presentes de Natal em lojas online, justamente pela praticidade de fazer tudo sem sair de casa, e 75% afirmam que quanto mais fácil e rápido for finalizar a compra, maiores as chances de concretizar a compra online.


O preço ainda é central, como era de se esperar: 46% colocam o preço como principal critério de escolha, mas a decisão não se encerra aí. 78% dizem que cupons de desconto os fariam trocar de loja e 72% afirmam que considerariam baixar o aplicativo de uma loja se houvesse vantagens claras, como parcelamento diferenciado, frete grátis ou descontos exclusivos.


Há também um dado que aponta para o desejo de confiança e explicação mais próxima: metade dos entrevistados se interessa por compras via vídeo ao vivo (live), com as marcas explicando os produtos. Ou seja, o digital não é só conveniência, ele é também um espaço de relacionamento, argumento e construção de segurança na compra.


No campo da alimentação, essa tensão entre físico e digital aparece de forma menos homogênea. Atacarejo lidera como canal para comprar ingredientes da ceia, seguido de supermercados físicos, enquanto o e-commerce de alimentos via site, app da loja ou aplicativos de delivery já ocupa um espaço relevante, mas ainda complementar. 


O que tudo isso significa para as marcas


Para as marcas, o Natal exige um deslocamento de narrativa. Falar de Natal no Brasil em 2025 não é apenas empilhar clichês de neve, mesa farta e consumo ilimitado. É entender que a ceia pode ser uma mistura de peru, panetone, frango, cortes para churrasco e pratos congelados.


É entender que o presente pode ser uma roupa, um chocolate, um kit básico, uma experiência ou um mimo comprado na Black Friday, com antecedência. Que o ambiente da celebração pode ser a sala decorada, o quintal com churrasqueira ou a casa de alguém que conseguiu organizar o mínimo. Quem quiser realmente participar desse contexto precisa respeitar o fato de que o consumidor está fazendo malabarismo para preservar o rito.


Marcas que conseguirem se posicionar como parceiras na construção desse Natal possível, combinando relevância simbólica com acessibilidade, conveniência com autenticidade, benefício com respeito ao contexto, terão mais chance de se conectar com esse Brasil que insiste em celebrar.


Ahhh e aproveitando o momento, quero desejar a você um Feliz Natal!

Boas festas!


Antônio Netto

Planejamento Estratégico e Consumer Insights

Vencedor do Prêmio Amigos do Mercado 2024 – Planejamento Publicitário

Host do podcast Papo Bizz 🎙️


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